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NOTÍCIAS DA ACE

AMAZONIA AZUL: Conhecimento do Mar (parte 4)

A partir da Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, surge uma série de interesses para o Brasil e, como já comentado, existem as vantagens e as obrigações pelo que se administra. Porém administrar, proteger e pesquisar, um mínimo conhecimento precisa ser inicializado e isto se aborda aqui nesta parte 4.


A imensidade do oceano é tão grande quanto o nosso desconhecimento sobre esta parte dominante, não só da superfície mas na quantidade de água. Atenua os extremos sazonais, evapora e fornece água doce para a vida terrestre; a maior parte da nossa água não vem da Amazônia Verde e sim passa por ela, vinda do Oceano Atlântico assim como as demais regiões; algumas vêm do Oceano Pacífico...Contem 96% da água total do planeta, fornece 86% da evaporação total e receb 76% de todas precipitações, exercendo forte influência do clima da terra. O sistema oceânico sempre evolui devido à sua interação com a atmosfera e seu estudo exige o aporte de diversas disciplinas agrupadas na Oceanografia.


O interesse da Humanidade pelo mar se iniciou pelos pescadores e mercadores dada a necessidade de suas atividades. Os fenícios – tidos como os primeiros marinheiros do mundo – já exploravam o Mediterrâneo pelas mesmas razões; o grego Heródoto, foi dos primeiros estudiosos da ambiência marinha que auxiliou os navegantes da época. Mais adiante, os portugueses tiverem seus grandes descobrimentos a partir de minucioso estudo dos ventos e correntes marinhas haja vista sua quebra de paradigma ao usar a caravela que dispensou o uso de remadores e da necessidade de ventos de través; viabilizou uma grande carga útil a grandes distâncias. James Cook (1768) fez estudos no Pacífico Sul; Charles Darwin (1831 a 1836) realizou a dita primeira viagem oceanográfica; a expedição do Challenger (1872 a 1876) estabeleceu a integração da Biologia, Química, Geologia e Física, obtendo-se dados meteorológicos, correntes marinhas, temperatura e composição da água. Com a descoberta do ecobatímetro (1921) o fundo do oceano começou a ser desvendado.


A Oceanografia progrediu muito após a Segunda Guerra Mundial pois se propiciou o desenvolvimento de vários equipamentos auxiliares à pesquisa. No decurso do Ano Geofísico Internacional (1957-58) se indicou três linhas de pesquisa: utilização das grandes profundidades (para eliminação de resíduos radiativos), potencial oceânico em proteínas (finalidade segurança alimentar) e o papel dos oceanos nas mudanças climáticas. Isto marcou o início da pesquisa oceânica em parcerias internacionais com participação dos governos; criou-se a COI (Comissão Oceanográfica Intergovernamental) responsável pela formulação de vários programas de âmbito regional. Na década de 1980 se iniciou o uso de satélites que facilitou a obtenção de dados sobre o mar.


No Brasil, pode-se afirmar que desde o descobrimento se desenvolveram atividades precursoras de oceanografia, pois em 1508 já existiam informações valiosas das nossas costas. A pesca e a meteorologia marinha levou à criação do Instituto Oceanográfico Brasileiro em 1934. A primeira entidade não governamental foi o Instituto Paulista de Oceanografia (1946), incorporado à USP. Grande parcela do desenvolvimento da Oceanografia pela Marinha do Brasil, se deve à transformação do antigo navio-escola Almirante Saldanha no nosso primeiro navio oceanográfico.


Temos atualmente mais de setecentos e cinquenta pesquisadores atuantes na Ciência do Mar distribuídos em 56 instituições que se dedicam também formação de recursos humanos. As atividades de recursos humanos em graduação de engenharia naval e oceânica, além de pós-graduação também são fornecidas neste elenco. O grande impulso para evolução da oceanografia foi a criação da CIRM (Comissão Interministerial para os Recursos do Mar) em 1974 que passou a coordenar os assuntos de uma política para os recursos do mar. Nesta política se determinam meios de se implementá-la, entre eles, por exemplo, Programa Antártico Brasileiro em execução há mais de vinte anos, bem como para melhor conscientização a população da importância do mar para o cidadão, consequentemente ao país, existe o Programa de Mentalidade Marítima.


Por fim, mas a bem da suficiência, o oceano sendo uma enorme máquina térmica, sua interação com a atmosfera se revela fonte de explicação para muitos fenômenos meteorológicos e aspectos climáticos. O aquecimento nos trópicos se restitui à atmosfera numa tentativa de estabelecer um equilíbrio térmico; isto provoca, juntamente com o movimento de massas de ar (ou vento) e correntes oceânicas, a condução do calor para regiões mais frias, por exemplo da Corrente do Golfo. Junto com isto, existe também a condução de substâncias dissolvidas na água tal quais nutrientes, carbono e sal.


O mar nos é um ilustre desconhecido em suas riquezas minerais e influências no clima; isto gera muitas oportunidades de diversas naturezas, além da sua visão simplista de seu uso para navegação e alimentação. Se inúmeras possibilidades de bom aproveitamento, desde que o conheçamos bem e nos motivemos para protegê-lo melhor.



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