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Eletrificação no Brasil trará benefícios que vão além dos ganhos ambientais, aponta estudo

Relatório da Deloitte, feito sob encomenda da Enel, estima um crescimento líquido total de 3% no PIB do Brasil até 2050 motivado pelas ações ligadas à descarbonização e eletrificação.


O estudo “Caminhos para a Transição Energética no Brasil”, desenvolvido pela Deloitte a pedido da Enel mostrou que acelerar a descarbonização e a eletrificação no Brasil trará benefícios que vão muito além dos ganhos ambientais, com impactos econômicos e sociais significativos para o país, como a possibilidade de um saldo de 8 milhões de novos postos de trabalho em 2050.


A análise aponta que é viável alcançar um cenário de zero emissão no Brasil até 2050, a partir do envolvimento dos principais setores produtivos, de avanços regulatórios e de medidas governamentais de incentivo à transição. A expectativa é de que a versão final do estudo seja entregue a representantes do governo brasileiro antes da COP 27 – Conferência das Nações Unidas Sobre Mudanças Climática, prevista para novembro, no Egito.

O estudo está baseado em dois cenários distintos vislumbrando as mudanças necessárias para tornar a matriz energética do Brasil mais limpa. No primeiro, são apresentados resultados mais conservadores, que mostram maiores níveis de emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2050. O segundo cenário aponta para um quadro de zero emissões líquidas de carbono em 2050 em linha com o que está traçado na NDC brasileira – a Contribuição Nacionalmente Determinada, que apresenta as metas do país para redução de emissões de GEE no Acordo de Paris, o que demonstra que apesar do pouco tempo, de menos de 30 anos, seria possível encaminhar o país para uma economia de baixo carbono.


No cenário net zero, além do saldo de 8 milhões de novos postos de trabalho, a análise estima um crescimento líquido total de 3% no PIB do Brasil até 2050 motivado pelas ações ligadas à descarbonização e eletrificação. Segundo o estudo, a área de Construção seria a principal geradora de novos empregos, diante das medidas adotadas pelo país para acelerar a transição energética, graças, sobretudo, à construção de novos empreendimentos de geração renovável, como os parques eólicos e solares. Estima-se ainda que a participação feminina na força produtiva do setor de energia cresceria de 22% para 32% no cenário net zero proposto no estudo.


“A transição energética já é uma realidade e muitas empresas, autoridades e outros representantes da sociedade civil estão empenhados em frear emissões e assegurar o nosso futuro. O que este movimento da Enel busca, a partir dos esforços consolidados neste estudo, é mostrar que podemos acelerar essas mudanças e gerar impactos sociais e econômicos positivos para a sociedade brasileira a partir de uma nova realidade que se impõe. Se as premissas apontadas pelo estudo não se confirmarem, o Brasil não alcançará o net zero em 2050 e perderá uma oportunidade única. Precisamos manter ligado este senso de urgência”, disse o country manager da Enel no Brasil, Nicola Cotugno.


“O setor elétrico tem feito a sua parte e desempenhado um papel fundamental na transição energética, acelerando por exemplo a participação das fontes renováveis na matriz elétrica, mas é preciso ir além e apoiar as transformações necessárias em todos os setores”, ressaltou Cotugno.


Para o sócio e líder de power e utilities da Deloitte, Guilherme Lockmann, a descarbonização é um tema urgente e que deve ser tratado como prioridade pelos indivíduos, pelas organizações e autoridades. “Já sabemos que é impossível termos uma sociedade sustentável, com desenvolvimento e prosperidade econômica sem o envolvimento e a atuação conjunta de todos os agentes. Este estudo que a Deloitte conduziu traça justamente cenários e aponta caminhos para uma transição energética no Brasil, que trará benefícios ambientais, sociais e econômicos, incluindo a criação de novos postos de trabalho e crescimento do PIB”, explicou.


O estudo mostrou um comparativo do modelo energético brasileiro em 2050, diante dos dois cenários possíveis que serviram como premissa para as análises. Enquanto no cenário mais conservador, a capacidade instalada de energia renovável fica em 65% e 93% (sem e com hidrelétricas), o percentual sobe para 76% e 95% com a implementação de políticas mais enfáticas. No mesmo comparativo da matriz energética brasileira projetada para 2050, a geração de energia renovável, exceto hidrelétrica, passa dos 938TWh, em um panorama mais conservador, para 1.759 TWh com a adoção de esforços para atingir o cenário net zero. Já o uso de energia elétrica na vida cotidiana cresce dos atuais 20% para 32%, no cenário de referência, e para 44%, no de neutralidade de emissões.


Entretanto, no cenário net zero, o consumo de eletricidade no Brasil é suprido principalmente por fontes verdes, sendo as energias eólica e solar responsáveis, juntas, por 63% dos 2.422TWh estimados para 2050. No cenário mais conservador, eólica e solar representam, juntas, 48%, com geração total estimada em 1.752TWh para 2050. Neste quadro, a geração térmica ainda responde por cerca de 10% da matriz elétrica brasileira.


O estudo também apontou que o hidrogênio verde se apresenta como complemento para a eletrificação, em especial para setores intensivos em carbono, como indústrias químicas e siderúrgicas. O estudo também aposta no potencial do Brasil para se tornar um exportador do “combustível do futuro”. No cenário net zero, toda a exportação de hidrogênio seria verde, cuja participação alcançará, em 2050, 96% do hidrogênio produzido.


Hábitos de consumo

A análise aponta que a jornada brasileira rumo à neutralidade das emissões irá modificar por completo a relação da nossa sociedade com o consumo e a escolha das fontes de energia para atividades cotidianas. A mobilidade elétrica, por exemplo, estará difundida tanto nos transportes públicos como na mobilidade privada, gerando economia significativa para seus usuários e melhorando a qualidade de vida nos grandes centros urbanos.


“Estamos entrando em áreas nas quais mostrou os primeiros passos a poucos anos, por exemplo, a eletrificação da mobilidade que é relativamente uma área nova. Já a geração distribuída é algo que já sentimos mais maduro. Precisamos de mais cooperação, inovação para que possa ser um processo eficiente e rápido. O Brasil tem uma grande possibilidade porque tem que excelências no mundo da inovação, indústria e temos mão de obra muito bem qualificada e recursos naturais que não é pouco. Somos líderes e estamos crescendo rápido”, ressaltou Cotugno.


O estudo prevê que já a partir de 2025 os carros elétricos passarão a ser uma opção mais barata do que os carros tradicionais movidos a combustível fóssil. Esta mudança se dará por uma série de motivos, como a redução significativa no custo das baterias, além de medidas de incentivo à circulação de modelos elétricos, que vão desde a redução no valor de estacionamento até a implementação de políticas para diminuir o custo de aquisição de veículos eletrificados e seus componentes, com a redução de impostos. A participação de veículos elétricos no mercado automotivo, que em 2019 era de 0,01%, seria de 85% em 2050, no cenário net zero.


Investimentos em linhas de transmissão de energia

O estudo também faz uma ressalva sobre a necessidade de sólidos investimentos em linhas de transmissão de energia. O aporte necessário para ampliar a malha nacional estaria entre US$ 166 bilhões e US$ 178 bilhões até 2050. Embora a eletrificação dos usos finais aumente 29% nos dois panoramas avaliados pelo estudo, a necessidade de investimento em redes aumenta apenas 7,2% do cenário mais conversador para o net zero. Isso acontece, principalmente, devido ao aumento do uso de baterias como fonte de armazenamento de energia verde, além do incremento da geração distribuída, que demanda menos investimentos em linhas de transmissão em relação à grandes usinas.


Estes necessários investimentos para que o Brasil avance na transição energética e alcance a neutralidade de emissões ainda são menores do que o chamado custo social do carbono. Estes danos representam um impacto financeiro para a sociedade e para as futuras gerações, que aparece em forma de impostos e investimentos públicos e privados para lidar com os efeitos das mudanças climáticas. Perdas nas colheitas, adaptações ao aumento do nível do mar, combate a incêndios florestais e medidas para proteger comunidades de enchentes são apenas alguns exemplos dos danos que as emissões de Gases de Efeito Estufa causam à economia e à sociedade. O estudo reforça, portanto, que o Brasil possui uma oportunidade de combater as mudanças climáticas economizando, ou seja, gerando um benefício social.


MICHELE RIOS, DA AGÊNCIA CANALENERGIA, DE SÃO PAULO (SP)


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