HISTÓRIA DA ACE

NAVEGUE PELA LINHA DO TEMPO DA HISTÓRIA DA ACE

ACE – Associação Catarinense de Engenheiros - o grande órgão emulador

Fundada no ano de 1934, a ACE traz no pioneirismo uma de suas principais marcas. Sob o signo da Nova Constituição Brasileira, votada e promulgada naquele ano, a ACE representava a percepção da sociedade quanto aos direitos individuais e da necessidade de lutar, em conjunto, pelos pleitos coletivos das diversas classes profissionais. O associativismo vivia dias de grande impulso e, em terras catarinenses, 26 engenheiros se unirampara fundar uma entidade que os representasse: surgia a ACE. Esse foi o embrião de todo o sistema organizacional da engenharia em Santa Catarina, sendo originários dessa iniciativa a formação do CONFEA, do CREA e dos Sindicatos de classe. Todos os movimentos que hoje fortalecem a respaldam o exercício da engenharia em Santa Catarina, e seu reflexos na sociedade catarinense tem a sua origem no mérito da criação da ACE. Desde a fundação aos dias atuais são 80 anos de profícuo trabalho em prol do engrandecimento da profissão e dos seus profissionais.

1954 a 1964

Tempo de estudar e prosperar

Presidentes dessa década:

Orlando de Oliveira Goeldner

David da Luz Fontes

Celso Ramos Filho

Georges WinkelriedWildi

José CorrêaHülse

Valmy Bittencourt

Haroldo Paranhos Pederneiras

Ayeso Campos

Hamilton Nazareno Ramos Schaefer

No dia 31 de janeiro de 1956 tomou posse como 21º. Presidente do Brasil o mineiro Juscelino Kubitschek de Oliveira. Um de suas mais ambiciosas metas é posta em movimento: a construção de uma nova capital federal, que mobilizaria o maior contingente da engenharia brasileira nos anos seguintes. Nesse mesmo ano acontece a fundação da Usiminas, maior siderúrgica do Brasil, outro grande marco da engenharia brasileira, tanto no que tange a monumental obra da planta fabril quanto para a engenharia siderúrgica brasileira. A cidade escolhida é Ipatinga, no Estado de Minas Gerais.

Na ACE, as eleições regulares, em maio de 1955, haviam guindado ao cargo de Presidente o Engenheiro Orlando de Oliveira Goeldner. Especializado em Portos e Vias Navegáveis, Goeldner fora nomeado Inspetor Fiscal dos Portos de Imbituba e Laguna havia 3 anos e destacara-se no cumprimento de suas atribuições. Como se pode observar, naquela época as principais atividades ligadas a engenharia catarinense eram postos e cargos públicos, ou então coordenação de obras públicas e poucos eram os profissionais que, a exemplo dos dias atuais, possuíam atividades profissionais privadas e autônomas.  Já no ano seguinte quem tomou a frente da entidade foi David da Luz Fontes, aos 34 anos e um dos mais jovens presidentes até então. No ano seguinte quem o sucedeu foi Celso Ramos Filho, cujo pai Celso Ramos foi um dos maiores estadistas a governar Santa Catarina.

Quase que imediatamente após a sua posse, Ramos Filho encampou uma luta pela criação do CREA em Santa Catarina, o que acabou acontecendo em 1958. Esse importante órgão, que se constitui na manifestação regional do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA), sendo responsável pela fiscalização do exercício das profissões da área tecnológica em âmbito regional, exerce o papel de primeira e segunda instância, verificando, orientando e fiscalizando o exercício profissional com a missão de defender a sociedade da prática ilegal das atividades abrangidas pelo sistema CONFEA/CREA. Na verdade o sistema nacional CONFEA/CREA havia sido criado em 1933 através do Decreto Federal 23.569, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas. Porém, na ocasião, o sistema criou oito unidades da federação, várias delas acumulando mais de um Estado, obedecendo as seguintes jurisdições:

CREA 1ª. REGIÃO – Pará

CREA 2ª. REGIÃO – Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte

CREA 3ª. REGIÃO – Bahia, Sergipe e Alagoas

CREA 4ª. REGIÃO – Minas Gerais e Goiás

CREA 5ª. REGIÃO – Rio de Janeiro e Espírito Santo

CREA 6ª. REGIÃO – São Paulo e Mato Grosso

CREA 7ª. REGIÃO – Paraná

CREA 8ª. REGIÃO – Rio Grande do Sul e Santa Catarina

Assim sendo, Santa Catarina até então não era mais do que um adendo do Estado do Rio Grande do Sul, situação que em muito desagradava os engenheiros catarinenses. Capitaneados por Celso Ramos Filho, que se elegera com base na premissa de que essa situação precisava mudar, os engenheiros catarinenses das mais diversas aplicabilidades se uniram para alcançar o tão sonhado pleito. Com Ramos Filho, lutando lado a lado pela causa, perfilavam-se os nomes de João Eduardo Moritz, Valmy Bitencourt, Paulo Wendhausen, José Corrêa Hülse, Victor Fontes, Annito Petri e Renato Genovez. Nessa ocasião foi decisivo o apoio de homens como Nereu Ramos, então Senador da República, mas que já fora Governador Estadual e Presidente interino da República;de Colombo Machado Salles, engenheiro de portos da Laguna e político de estirpe, que viria a governar Santa Catarina anos depois; de Haroldo Paranhos Pederneiras, primeiro presidente da ACE e notório profissional da engenharia, respeitado em todas as esferas. Com grande trânsito entre os políticos da capital federal, nessa época ainda situada no Rio de Janeiro, Nereu Ramos intermediou o pleito catarinense e a vitória tão esperada foi obtida. ACE e CREA passaram a compartilhar da mesma – e modesta – sede e igualmente do mesmo presidente, pois Celso Ramos Filho foi eleito primeiro presidente do CREA, tendo sido sucessivamente reeleito pelos 15 anos seguintes. Foi uma grande conquista para os profissionais catarinenses que, até então, precisavam se deslocar até Porto Alegre para quaisquer providências burocráticas que se apresentassem no cotidiano exercício da profissão. Isso numa época, é bom que se diga, em que a ligação entre as duas capitais se dava por estradas precárias, não pavimentadas e quaisquer outros meios de comunicação eram raros e de precário funcionamento.

Segundo Celso Ramos Filho, “meus objetivos,quando assumi a presidência da ACE, sempre foram claríssimos: a criação do CREA em nosso Estado, a criação de uma escola de engenharia, que sempre reputei como indispensável para o desenvolvimento da nossa profissão aqui em Santa Catarina e a criação do SENGE – Sindicato dos Engenheiros, aqui no Estado. Para mim sempre foi claro que, sem essas ferramentas, ficaríamos eternamente a reboque da engenharia em outros estados, fato que vinha ocorrendo. Pagávamos nossas mensalidades para o CREA do Rio Grande do Sul e dependíamos deles para tudo. A injustiça era tão cabal que coloquei como meta pessoal e corporativa alterar esse estado de coisas. Fico feliz em saber que entreguei a presidência da ACE com esta meta cumprida e o embrião das outras duas, devidamente implantado no seio da entidade, pelos quais continuei a minha luta, mesmo não ocupando a presidência.”

Quem sucedeu Celso Ramos Filho na presidência da ACE foi Georges WinkelriedWildi, eleito em maio de 1958, com mandato até o ano seguinte. Nesse ano o Presidente Juscelino Kubitschek inaugurou oficialmente o primeiro reator nuclear do Brasil e da América latina, denominado IEA-R1, na cidade de São Paulo, iniciando assim uma nova era na engenharia nacional, com a introdução da fonte nuclear de obtenção de energia. A construção de Brasília seguia célere e já naquele ano aconteceu a inauguração oficial do Palácio da Alvorada.

A década de 1960 chegou com ares de esperança para o Brasil. O Presidente Juscelino Kubitschek inaugurou a nova capital do país, Brasília, a 21 de abril daquele ano, uma das maiores obras de engenharia do planeta, motivo de orgulho para todo o povo brasileiro. Na presidência da ACE assumiu José CorrêaHülse para o biênio 1960/1961.

Talvez o fato mais importante a marcar aquele início de década, no entanto, seja o surgimento da USC (Universidade de Santa Catarina, atual UFSC),oficializada por decreto-lei n°3.849 pelo então presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira e a subseqüentecriação da Escola de Engenharia Industrial (EEI)que se tornaria no futuro o Centro Tecnológico, com sua turma inicial em 2 de maio de 1962. Desde o início até 1967 a EEI funcionou junto à reitoria da USC na Rua Bocaiúva, n°60, no centro da cidade de Florianópolis.  Conforme destaca em sua obrasobre os 75 anos da ACE o autor Marco Antônio Arantes, “A Florianópolis de então era ainda uma pacata capital provinciana, com menos de 18 mil eleitores e cerca de 70 mil habitantes, cujo mercado de trabalho resumia-se, basicamente, ao serviço público, ao comércio varejista e às profissões liberais. Nossos engenheiros ainda eram todos formados fora do Estado, o que fazia dessa profissão uma espécie de terreno cativo das elites ou das famílias que se dispusessem a grandes sacrifícios para formar seus filhos nos estados vizinhos. Esse acontecimento trouxe novos ares para a capital, com um grande afluxo de pessoas de fora, principalmente do Rio Grande do Sul. Além disso, sucessivas levas de estudantes transferiam-se para Florianópolis a partir do interior catarinense e de outros estados.” Pode-se afirmar que o surgimento da UFSC redesenhou, em um pouco mais de uma década, bairros como Trindade, Itacorubi, Pantanal e Córrego Grande.

Enquanto isso, o ano de 1961 foi de grandes movimentações políticas no Brasil. Eleito pelo voto direto em 31 de janeiro, Jânio Quadros tornou-se o 22º. Presidente do Brasil, substituindo Juscelino Kubitschek, mas apenas seis meses depois surpreendia toda a nação renunciando ao cargo e abrindo espaço para um imbrógliopolítico que resultaria, dentro de poucos anos, no Golpe Militar. Imediatamente, o Presidente da Câmara de Deputados, Ranieri Mazzilli, assumiu a presidência interina, mas já no mês seguinte o Congresso Nacional aprovaria a Emenda Constitucional no. 4, estabelecendo o Parlamentarismo no Brasil e instituindo o primeiro Conselho de Ministros, situação essa que também durou poucos meses, pois a população brasileira, oscilando ao sabor das muitas opiniões conflitantes que se manifestavam, na sua grande maioria foi contra esse regime de governo. Novas eleições se sucederam e João Goulart foi eleito Presidente do Brasil. Com suas tendências eminentemente comunistas, João Goulart assustou os poderes constituídos, uma revolta foi gerada e, em 1964 estava instalado no Brasil o Regime Militar, que perduraria até março de 1985. Enquanto tudo isso acontecia o engenheiro Valmy Bittencourt assumia a presidência da ACE para o biênio 1961/1962.  Em 1963 Haroldo Paranhos Pederneiras volta a cena e preside a ACE até o ano seguinte, quando a mesma passa para o comando de Ayeso Campos.

Nessa ocasião a ACE resolveu formar uma comissão para negociar um reajuste salarial para a categoria junto ao então Governador Estadual Celso Ramos. O engenheiro eletricista Hamilton Nazareno Ramos Schaefer, também professor da UFSC e vice de Ayeso Campos, foi convidado para presidir a comissão, que contava também com as ilustres presenças de Colombo Machado Salles e Wilson Pereira. Logo depois desse ocorrido, Ayeso Campos precisou licenciar-se da presidência e Hamilton Nazareno Ramos Schaefer assumiu o cargo. Foi, portanto, na condição de Presidente que ele entrou no gabinete do governo estadual para negociar os termos solicitados pela entidade. São dele as reminiscências daquele período: “Nossa missão alcançou pleno êxito, pois o Governador Celso Ramos, sensível à nossa reivindicação, equiparou os engenheiros que trabalhavam para o Estado aos Procuradores Estaduais. Foi um período de grande valorização para a nossa classe, sentimento incrementado também pelo fato de que Celso Ramos Filho, que já fora presidente da ACE e era um de seus membros mais ativos, era justamente filho do governador e ocupava, naquela época, a cadeira da Secretaria de Obras do Estado. Outra reminiscência que me remete aquele período áureo é a de que, naquela época, a ACE não dispunha de verba para contratar sequer um funcionário, cabendo ao Presidente toda e qualquer atividade necessária, principalmente cobrar as mensalidades e contatar os inadimplentes. Quando comentei essa situação com o Engenheiro Paulo Wendhausen, que era então diretor do DOP, ele prontamente nos cedeu um servidor daquele órgão. Esse foi com certeza o primeiro funcionário que a ACE teve. Naquela época também não tínhamos sede e nem condição de pagar aluguel; o espaço que ocupávamos no edifício do Montepio do Estado, desde a fundação, era cedido gratuitamente para a ACE.”

Ainda no ano de 1964 a EEI – Escola de Engenharia Industrial da UFSC receberia uma verdadeira dádiva para sua formação e evolução futura: a vinda do engenheiro Caspar Erich Stemmer, que assumiu a função de professor regente na Faculdade de Engenharia Mecânica. Detentor de muitas distinções, graduações, premiações e ocupante de diversos cargos e funções em cursos da área, Caspar Erich Stemmer deu novo rumo ao ensino de engenharia na cidade de Florianópolis, terminando por assumir a reitoria da Universidade. O Professor Raul Valentim da Silva, há 42 docente e coordenador dos cursos de engenharia da UFSC recorda com clareza desse período: “ a vinda de Caspar Erich Stemmer para Florianópolis foi um fantástico incremento ao ensino de engenharia, pois ele era egresso de boas escolas alemãs e de lá trouxe apurada técnica e rigor extremo que qualificaram as nossas turmas de engenharia, destacando-as no cenário nacional. Igualmente foi através dessa ligação que tivemos acesso a equipamentos importados, que vinham através de convênios que ele conseguiu firmar com estas escolas alemãs. Além de excelente acadêmico, Caspar Erich Stemmer era um executivo de primeira linha, e a soma dessas duas habilidades fez dele uma contribuição inolvidável para a engenharia catarinense. Foi ele, por exemplo, quem instituiu o estágio obrigatório, a fim de estimular a interação escola-empresa e incrementar o aproveitamento da mão de obra formada aqui. Também foram dele as iniciativas de criar os cursos de especialização em nível de pós graduação em engenharia mecânica e elétrica, os primeiros da UFSC.”

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